Soares Novais
Belmiro, o merceeiro rico que já se esqueceu de que é filho de um humilde carpinteiro de Marco de Canavezes, roncou:
"Diz-se que não se devem ter economias baseadas em mão-de-obra barata. Não sei por que não. Porque se não for a mão-de-obra barata, não há emprego para ninguém".
O ronco do Belmiro, que começou a ganhar a vidinha a chegar papeis ao banqueiro Afonso Pinto de Magalhães, teve como palco o chamado Clube dos Pensadores - o mesmo onde o Relvas fez de "Zé Cabra".
Agora, continuem a encher-lhe o bandulho...
terça-feira, 19 de março de 2013
terça-feira, 12 de março de 2013
Miseráveis.
António Borges, António Nogueira Leite, Eduardo Catroga, Fernando Ulrich, João César das Neves, João Duque, João Salgueiro, José Luis Arnaut, José Silva Lopes, Marco António Costa, Miguel Relvas, Pedro Mota Soares, Pedro Passos Coelho, Vítor Gaspar.
Estes são alguns dos figurões que, volta e meia, dizem ser inevitável cortar nas pensões e nas reformas; cortar nos salários dos funcionários públicos; e tornar ainda mais baixo o já de si vilmente baixo salário mínimo nacional.
Eles são moralmente miseráveis, pois auferem ordenados chorudos, vivem rodeados de mordomias e falam de barriga cheia, num país que tem 2 milhões de pobres; eles são aqueles que “pela manha ou pela força, roubam e despojam os povos”* e obrigam os seus concidadãos a pagar as vigarices milionárias dos seus amigos e correligionários Dias Loureiro e Oliveira e Costa, apenas para aqui citar dois portugueses exemplares.
Os vencimentos pagos em Portugal são dos mais baixos da Europa e estão longe de ser responsáveis pela alegada falta de competitividade da nossa Economia e das nossas empresas.
As empresas sufocam, isso sim, por via dos altíssimos custos de contexto. Ou seja: por via dos elevados custos da energia eléctrica, combustíveis e portagens; e por um sem número de impostos que as colocam a trabalhar para um governo que só tem olhos e bons modos para os seus amigos da “banca”.
*"Não são ladrões apenas os que cortam as bolsas.
Os ladrões que mais merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e as legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais, pela manha ou pela força, roubam e despojam os povos.
Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e reinos; os outros furtam correndo risco, estes furtam sem temor nem perigo.
Os outros, se furtam, são enforcados; mas estes furtam e enforcam."
Excerto do “Sermão do Bom Ladrão” do Padre António Vieira (1608-1697).
Os ladrões que mais merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e as legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais, pela manha ou pela força, roubam e despojam os povos.
Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e reinos; os outros furtam correndo risco, estes furtam sem temor nem perigo.
Os outros, se furtam, são enforcados; mas estes furtam e enforcam."
Excerto do “Sermão do Bom Ladrão” do Padre António Vieira (1608-1697).
Escritor e pregador notável, o Padre António Vieira escreveu o “Sermão do Bom Ladrão” em 1655. Como se vê continua profundamente actual.
Crónica publicada no semanário
segunda-feira, 11 de março de 2013
terça-feira, 5 de março de 2013
O sabichão da tevê.
Há 15 dias atrás, o sabichão da tevê, que fala sobre tudo com a ligeireza de um comentador de café, disse na sua missa dominical:
“O povo já percebeu que não pode ser de outra forma e às manifestações já só foi gente do PC e do BE”.
As “manifes” do último sábado, que juntaram 1,5 milhões de pessoas em todo o país, provam que o sabichão está enganado. Ou que, pura e simplesmente, é um mentiroso compulsivo. Tal qual acontece com o governo que vende na tevê semana após semana.
Profissional do beijinho e do abraço e da palmadinha nas costas, o sabichão da tevê bem podia ganhar a vidinha a vender sabão macaco, pensos higiénicos ou cuequinhas de senhora.
Mas não: o sabichão da tevê ganha a vida com a língua. E como fala com a rapidez de uma metralha, alguns ainda lhe dão crédito. Afinal, sabe-se, quando “um professor fala o mundo acredita”. Também era assim com a “Voz dos Ridículos” – programa de humor que fez história na rádio nortenha.
Uma coisa é certa: a este sabichão da tevê, que os lisboetas deixaram a banhar-se nas águas do Tejo e que foi corrido da liderança do seu próprio partido, a história não lhe reservará nenhum lugar.
Daqui a 20 anos já ninguém se lembrará dele e dos seus dichotes.
Ao invés, aposto, todos continuarão a entoar “Grândola, Vila Morena” se a isso a vida os obrigar…
A tempo: Esta crónica foi escrita bem antes da missa dominical do sabichão da tevê. Mas tenho a certeza que, posto perante o imenso coro de protestos, terá arranjado uma explicação qualquer. Por mais inverosímil que seja. É a sua especialidade. Para gáudio da santinha de Sintra. Como antes o foi para o pastorinho das Antas.
Crónica pubicada no semanário
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Valentões do Minho.
Os minhotos de Guimarães e os minhotos de Braga detestam-se. Por isso, sempre que se enfrentam há mosquitos-por-cordas. Ou seja: há cadeiras pelo ar; chegam fogo a tudo que possa arder; dão chapada de meia-noite; e insultam as respectivas mãezinhas.
Foi o que aconteceu no último domingo, tendo como palco o estádio que ostenta o nome do fundador da mátria lusa. Um palco que os minhotos de Guimarães e os minhotos de Braga transformaram num imenso e esquizofrénico campo de batalha.
A partida, entre as respectivas equipas “B”, durou escassos oito minutos. E terminou logo ali. Por decisão do árbitro que, perante a batalha que se desenrolava nas bancadas, mandou recolher as equipas aos balneários. Previdentemente e antes que a rapaziada da bola fosse contagiada pelo surto de brutalidade que os adeptos exibiam em todo o seu esplendor.
Dizem os jornais que a coisa esteve feia. A polícia de choque correu a rapaziada da bola à bastonada e assim evitou o prolongamento de uma ridícula batalha - protagonizada por zombeteiros que, embora vivam no século XXI, mais parecem personagens próprios da Idade da Pedra.
Pena é que estes valentões do Minho desperdicem o seu talento para a chapada num mero jogo de futebol, e que apenas se indignem com as coisas da bola.
É que depois de 1975, ano em que “heroicamente” assaltaram e incendiaram sedes partidárias em Braga, os minhotos apenas saíram à rua para dar uns valentes tabefes a Luís Marques Mendes, imediatamente após a equipa do Famalicão ter sido condenada a descer de divisão.
Tabefes que, recordo, apenas serviram para guindar os dois líderes da ira famalicense: um à condição de arquitecto e presidente de câmara; outro a vice-presidente da bancada parlamentar. Mas ambos sob a capa protectora do partido que já foi presidido por um comentador político que jamais logrará ser Morgado de Fafe.
A tempo: O Guimarães B - Braga B não foi policiado. Os clubes têm milhões para pagar a jogadores, mas nem um euro para requisitar a presença policial. Agora, todos lamentam o sucedido. O presidente da Liga considera haver “acontecimentos alarmantes” e lembra que “há dias o senhor ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares [Miguel Relvas] disse que há segurança no desporto".
Crónica publicada no semanário
sábado, 23 de fevereiro de 2013
Acossados.
Sou acossado por uma matilha de cães raivosos.
Eu e todos aqueles que não têm pai rico e estão impedidos de “ir ao BES.”
Ao BES e a todos os outros, pois, como muito bem se sabe, “ir aos bancos” é, hoje, privilégio só ao alcance de alguns.
Como o Dias Loureiro e o Duarte Lima, por exemplo, que são gente de boas contas e cumpridores zelosos das suas obrigações. Tal qual o dono do BES.
Dono do BES que, como foi tornado público, rectificou a sua declaração de IRS por três vezes e sempre para acrescentar mais uns milhões de euros de rendimentos; ou, também, como o senhor Américo Amorim, que recheou as contas da sua holding com a compra de milhares de pensos higiénicos.
A eles o “Fisco” não penhora salários e os bancos não sacam as casas. Talvez por não serem T1 ou T2 construídos com muita areia e pouco cimento; ou, simplesmente, porque não sabem ao certo se um dia não fazem deles ministros ou secretários de Estado.
Ou presidentes de conselhos de administração de bancos. E, por essa escolha, terem de lhes pagar 10 milhões de euros à cabeça, que foi o que exigiu o sábio Miguel Cadilhe para liderar o falido BPN. Mesmo que o tenha feito por escassos seis meses.
A tempo: O fotojornalista Daniel Rodrigues ganhou o primeiro prémio da categoria Vida Quotidiana do concurso de 2013 do World Press Photo com uma imagem de jovens a jogar futebol num campo de terra na Guiné-Bissau. Daniel é minhoto de Riba de Ave, tem 25 anos, trabalhou a recibos verdes e é um dos muitos de milhares de portugueses sem trabalho. Para sobreviver e “pagar as contas” teve de vender o seu material fotográfico. Deixo-lhe aqui um conselho, caro Daniel: concorra ao próximo “BES Photo”, pois pode ver o seu talento recompensado pelo banco do Dr. Ricardo Salgado.
Crónica publicada no semanário
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